terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sabe gente, é mesmo verdade quando dizem que ninguém pode viver só. E é tão triste estar só. Sorrir só. Comer só. Caminhar só. Comemorar só. Só.
Difícil mesmo é ter tanta gente em volta e, ainda assim, se ver só. Eu não sei como o mundo pode ser tão confuso, como as pessoas podem ser tão hipócritas, como a vida pode ser tão mesquinha, às vezes.
Sabe quando você acha que tá tudo errado, as coisas de cabeça pra baixo, prestes a desabar? E, nessas horas, não adianta ter a força de uma rocha, a perspicácia de um sábio ou a vontade inabalável de uma criança, porque nada será capaz de segurar o que gravidade deseja ter para si.
Quando todos estão brigados com você, a culpa é sua?

Nem um sinal, nem um recado
Hoje é melhor deixar o amor fora do ar!!
Tudo acontece, eu sei, tudo se entende
E de repente tudo volta pro lugar.


domingo, 4 de julho de 2010

será que amor é costume? a gente acorda e vê uma msg desejando bom dia, levanta e acha um café dos deuses, abre a porta e recebe flores, vai deitar e encontra um chocolate do lado da cama.
estamos condicionados a ser bem tratados, sendo a reciprocidade vinculada.
as pessoas dizem que quando batem no mesmo lugar a gente tende a não sentir mais dor, eu insisto em acreditar que só não sente a dor aquele que não quer sentí-la.
tudo está diretamente ligado à nossa cabeça, ao mundo que existe nela, ao transporte utilizado.
inevitavelmente, caímos volta e meia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Me questiono a todo o momento porque as pessoas se enganam tanto. Certa vez alguem me disse que se eu ficasse me preocupando em nao ser injusta com os outros, estaria sendo injusta comigo mesma. Faz sentido.

Até que ponto reprimir nossos sentimentos para não machucar os outros é injustiça? Qual o limite do egocentrismo? É egoísmo fechar os olhos para o mundo quando se tem em mente proteger nossa própria integridade?

Dificilmente conseguiremos ser aquilo que idealizamos, se não tivermos diciplina. Neste diapasão, onde está o pecado em centrarmos a energia do mundo em nós mesmos?


domingo, 23 de maio de 2010

Troca um coração por um cachorro?

Meu coração, esses dias, chorou de saudade de você. Tentei consolar com aquela velha e latente mania de dizer 'vai passar, tudo na vida passa'. Sabe o que mais irrita? É a mais pura verdade! Passa mesmo. Mas ele não se deu por satisfeito. Ele não se contentou e me disse, com uma expressão de quem comeu e não gostou, que o problema é que a culpa é minha, mas quem suporta a dor é ele. Que é ele quem descompassa, quem se ajeita em pouco espaço com um sentimento que eu resolvi guardar num lugar que deveria ser só dele. Coraçãozinho medíocre e egoísta, não? Deus me livre. É isso que dá criar esses animais indomáveis. Dá pra devolver? Fiquei tão indignada que quase jogo fora. Mas ele bateu bem forte e disse: você não vive sem mim! Engoli o choro e perguntei: tá quentinho aí? Boa noite.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.. E lembra-te :Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Fernando Pessoa

Medo da eternidade.

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.- Não acaba nunca, e pronto.- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.- Perder a eternidade? Nunca.O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.- Acabou-se o docinho. E agora?- Agora mastigue para sempre.Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.
Clarice Lispector